Na pele de Uma Jihadista de Anna Erelle #60 | Resenha

Na pele de Uma Jihadista, foi publicado no Brasil em 2015 pela editora Paralela. A autora é uma jornalista francesa sob o pseudônimo “Anna Erelle”; que trabalhou durante muitos anos acompanhando os movimentos do Islã radical, estudando principalmente o fenômeno que vêm acontecendo na Europa: o alistamento de jovens ocidentais nos exércitos islâmicos. 

Examinando especificamente os hábitos desses jihadistas europeus do EI (Estado Islâmico) ela tentou compreender o que faz esses jovens se apropriarem dessa causa e abandonarem seu país, família, conforto… tudo para ir matar e desafiar a morte. 

“…o termo “jihadista” tem sido usado por acadêmicos ocidentais desde os anos 1990, e mais frequentemente desde os ataques de 11 de setembro de 2001, como uma maneira de distinguir entre os muçulmanos sunitas não violentos e os violentos. Os jihadistas são os violentos.”¹

Anna descreve como conseguiu informações importantes, inclusive com os próprios familiares desses jovens, mas enfrentava sérias dificuldades para publicar seus artigos, pois havia sempre muitas ameaças e perigos que envolviam terceiros. E já meio frustrada com isso e meio ao acaso (pelo menos é o que ela diz), através de um perfil alternativo [falso] no Facebook chamado “Mélodie” ela entra em contato com “Abu Bilel” um perigoso terrorista do EI, se passando por uma jovem francesa de 20 anos recém convertida ao Islã. O terrorista já no primeiro contato com “Mélodie” começa assedia-la a largar tudo e ir para a Síria. Ela por trás daquele perfil falso se depara então, com uma oportunidade única de investigar esse fenômeno mais de perto e decidi ir adiante nessas conversas com Abu Bilel. Do Facebook eles passam para conversas em vídeo pelo Skype, e ela conta como para resguardar-se chega a usar um hijab (conjunto de vestimentas da doutrina islâmica) nessas conversas.

Juntamente com outro jornalista, ela filma e documenta todo o contato com Abu Bilel, na intenção de publicar um super artigo em um dos jornais em que trabalhava.

Um hijab” só revela o contorno do rosto sem deixar aparecer uma mecha sequer de cabelo.²

O livro retrata como as redes sociais – principalmente Youtube, Facebook e Skype – se tornaram as armas preferidas do Daesh (acrônimo árabe para a Organização Estado Islâmico). Veja o comentário de Anna sobre isso:

“… a organização terrorista opera usando sua arma de guerra favorita: a propaganda digital. A imagem antiquada dos talibãs vivendo como ermitões nas grutas afegãs limitava, até então, as vocações. Já a comunicação dos novos soldados 2.0 do jihad acerta o alvo. Inundando o Youtube com vídeos ultraviolentos, o Estado Islâmico impressiona milhares de ocidentais lobotomizados pela velocidade de ação e execução de suas ameaças. […] Ávidos de reconhecimento, a maioria vai para a linha de frente com a ambição de postar na internet um foto sua de uniforme de soldado. Lá, terão uma importância inequívoca e ainda por cima o direito de exibi-la no Twitter ou no Facebook. Esses garotos tornam incrivelmente acertada e premonitória a célebre frase pronunciada em 1968 por Andy Warhol: “No futuro, todos terão direito a quinze minutos de fama mundial.”

Acompanhamos a história de “Mélodie” desde o início das conversas pelas redes sociais até o ponto em que ela marca o dia de ir para Síria encontrar-se com o terrorista. Se ela chega a ir ou não, você vai ter que ler pra saber 🤷🏻‍♀️

O assunto em si é muito interessante. O livro tem muitas informações a respeito de como funciona o recrutamento de jovens pelo EI, dos costumes dos jihadistas, da religião Islã, dos combates na Síria etc. A narrativa da jornalista é muito fluída, apesar de certas descrições da vida pessoal que achei totalmente desnecessárias e cansativas.

Recomendo para quem não sabe muito sobre o EI, mas tem interesse no assunto. Fiquei com vontade de ler mais sobre o tema, se você tiver alguma indicação de livro deixe nos comentários.


+INFO Livro: Na pele de Uma Jihadista: a história real de uma jornalista recrutada pelo Estado Islâmico | Autor: Anna Erelle | Editora Paralela, 2015 | Páginas: 208 | Skoob, Amazon, Estante Virtual

★★★★

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