Lendo Sermões: Eu sei que o meu Redentor vive (Spurgeon)

“Porque eu sei que o meu redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus, Vê-lo-ei, por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros o contemplarão; e por isso os meus rins se consomem no meu interior.” (Jó 19:25-27 ACF)

Em busca de uma melhor compreensão do Livro de Jó, como já mencionei em outro post, segui e olhei agora para o trecho que parece ser o ponto mais alto de todo o livro. Não que o livro tenha algum ponto baixo, na verdade ele é todo alto, mas Jó 19:25-27 é um dos trechos que expõe mais claramente a essência da fé do homem Jó.

Esses versículos fazem parte do discurso de Jó em resposta a seus amigos. Nesse ponto, Jó já tinha ouvido e dito muitas coisas e suas palavras assumem um tom de amargura e ressentimento (ler Jó 19); para Jó Deus era o seu adversário.

Mas logo aqui, quando todas as esperanças parecem esmagadas, Jó faz uma das mais belas declarações, e isso com a alma angustiada até a morte.

Charles H. Spurgeon

Essa incrível passagem e seu contexto despertaram a mente e o coração de muitas pessoas ao longo da história. Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) é uma delas. Em seu sermão nº 504 pregado na manhã de domingo de 12 de abril de 1863, no Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres; ele esmiuçou esses versos diante da congregação, alcançando com isso (para benefício nosso) muito além dos presentes naquela manhã.

O sermão é dividido em três pontos principais. Primeiro, ele adentra nas entranhas da morte, meditando sobre todo o seu horror. Depois busca nas palavras de Jó “Eu sei que meu Redentor Vive!” um consolo para a vida presente. E por último, mostra-nos como já é possível antecipar futuros deleites quando “… em minha[nossa] carne verei[veremos] a Deus”.

Após ler seu impressionante sermão minha visão sobre o texto em questão se ampliou tanto, que posso dizer que encontrei uma pedra preciosa e mais incentivo para continuar escavando essa mina.

A Fé de Jó

Nesse post vou me deter somente sobre o terceiro ponto do sermão, sobre o milagre da ressurreição. Quando o sermão para mim, atinge o seu máximo: A fé de Jó estava substancialmente firmada sobre a certeza de que ele veria a Deus depois que seu corpo tivesse sido destruído pela morte. 

Observe, quando Jó afirma que o seu “Redentor Vive!” ele não tinha noção que o quadro de sua dor – física e emocional – seria mudado, ele tinha a sua morte como certa e até desejável devido ao seu estado. Então, do que Jó estava falando?

“E, depois que meu corpo tiver se decomposto, ainda assim, em meu corpo, verei  a Deus! Eu o verei por mim mesmo, sim, o verei com os meus próprios olhos…” (Jó 19:26,27 NVT) 

Jó tinha a certeza, a convicção de que mesmo após a morte ele veria a Deus. Ok podemos pensar… ele sabia que ao morrer sua alma iria ao encontro de Deus. Mas, o extraordinário dessa declaração é que Jó não apenas afirma que veria a Deus após a sua morte, ele afirma que “ainda em meu corpo” ou “ainda em minha carne” “o verei com os meus próprios olhos”. Essa era a sua esperança! Ele via através da fé em seu Redentor o dia que ressurgiria dos mortos.

Segundo diz o pregador, o que temos aqui, é nada menos que a radiante Doutrina da Ressurreição! Feliz é aquele, que como Jó, não encontra dificuldades aqui, pois a ressurreição do último dia será a grande conclusão dos trabalhos de Deus em seus filhos, com o mesmo poder que Ele trouxe da morte o corpo do Senhor Jesus Cristo Ele trará da morte os corpos dos seus eleitos.

“Temos ouvido falar de milagres, mas que milagre é o da ressurreição! Todos os milagres da Escritura, sim, mesmo aqueles realizados por Cristo, são pequenos comparados a este.”

“Eu sei que o meu Redentor vive”, a palavra “Redentor” utilizada aqui, segundo Spurgeon, no original é “goel” ou parente.

“A obrigação do parente ou goel, era esta: suponha que um israelita tenha sido alienado de sua propriedade, como no caso de Noemi e Rute; suponha que um patrimônio que havia pertencido a uma família, houvesse acabado pela pobreza, era dever do goel, do remidor pagar o preço como parente mais próximo, e comprar de volta a herança. Boaz fez isto em relação a Rute.”

O nosso Goel irá redimir tanto a alma como o corpo, embora a morte por causa do pecado nos tira o direito à nossa “casa terrena”, vive Aquele que a comprará de volta. Jó pôde dizer isto antes de Cristo ter descido a terra, quanto mais agora: que Ele não só veio à terra, mas ascendeu aos céus, e levou cativo o cativeiro; nós seguramente podemos dizer: “Eu sei que o meu Goel vive.”

Não há maior esperança do que essa! Por mais escura que seja a aparência da morte diante de nós, a lâmpada da ressurreição prometida por Deus em seu Filho brilha forte e eternamente.

A ressurreição é a audaciosa resposta dos eleitos aos terrores da morte.
A ressurreição é um consolo na vida presente.
A ressurreição é a esperança que embora destruam este corpo, ainda em nossa carne nós veremos a Deus!

♦ Pintura Mocking of Job, Gioacchino Assereto


+INFO Eu sei que o meu Redentor vive | Sermão nº 504, de Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) | O Estandarte de Cristo, 2016

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