Inimigo Mortal de Michael T. Osterholm e Mark Olshaker #107 | Resenha

“… e, tenham certeza, haverá um próximo, depois outro e outro e outro. E, como traçamos neste livro, um desses surtos será ainda maior e mais grave que o Covid-19.” (p. 11)

“Da mesma forma que crime e guerra jamais serão erradicados, nunca eliminaremos as doenças.” (p. 21)

Inimigo Mortal: nossa guerra contra os germes assassinos, foi publicado em 2017 nos Estados Unidos, ainda sob o contexto da epidemia de Ebola 2014-16 na África Ocidental. Em 2020 ganhou uma nova edição e prefácio quando o mundo inteiro enfrentava (e ainda enfrenta) a pandemia de Covid-19, quando também foi publicado no Brasil pela editora Intrínseca.

O que chamou minha atenção de início nesse livro foi a informação de que já na edição de 2017, o epidemiologista Michael T. Osterholm, o autor principal desse livro, fez uma previsão detalhada da possível próxima pandemia que o mundo enfrentaria. Isso é, pelo menos dois anos antes esse sr. avisou ao mundo de forma certeira sobre o perigo que nos rondava – ainda que fomos atingidos por um “novo coronavírus” e não por um vírus influenza como ele disse.

No seu prefácio da edição de 2020, ele diz que a Covid-19 pegou a todos de surpresa, mas que não deveria. Ele diz: em um mundo com população cada vez maior, viagens aéreas internacionais, megalópoles em equilíbrio precário em países em desenvolvimento, invasão de hábitats naturais que trouxeram reservatórios de doenças de animais à porta de nossas casas, centenas de milhões de seres humanos e animais hospedeiros vivendo colados uns nos outros… esse é o ambiente de caos perfeito para o surgimento não só da então Covid-19, mas de outras doenças infecciosas que, segundo ele, certamente surgirão nos próximos anos.

Apesar de não constar no sumário, os autores dividiram o livro em duas grandes partes. Os capítulos de 1 a 6, são mais conceituais e apresentam os cenários e contextos necessários para o entendimento do restante do livro. E nos capítulos de 7 a 21 são discutidas, o que Osterholm considera, como nossas maiores ameaças e os desafios mais prementes em relação a doenças infecciosas no mundo moderno.

Michael Thomas Osterholm (1953- ), epidemiologista americano.

E bem, a leitura do livro como um todo foi muito interessante. Eu como totalmente leiga nos assuntos, aprendi muito. Então posso dizer que foi uma leitura mais que válida e bastante necessária. E faço questão de dizer isso claramente porque penso que muitas pessoas no Brasil e no mundo sejam como eu, leigas nesses assuntos, afinal quem gosta de ficar pensando, estudando sobre doenças a não ser as pessoas da área da saúde e outras relacionadas? Mas tendo passado tudo o que passamos nos últimos dois anos, o mínimo que podemos fazer para nós mesmos e para o bem daqueles que amamos é procurar mais informações sobre essa questão que é tão ampla, falo das doenças infecciosas; e isso caro leitor, esse livro entrega, ele certamente fornece informações importantes e organizadas, numa linguagem acessível para fácil entendimento.

Bioterrorismo / AIDS, Malária, Tuberculose…

Entre os vários assuntos tratados nas páginas de Inimigo Mortal, gostaria de destacar também dois que chamaram muito a minha atenção: o bioterrorismo e da importância de não esquecermos de doenças como a Aids, a Malária e a Tuberculose.

Sobre o Bioterrorismo, eu já tinha ouvido rumores, mas as informações que esse livro trás é de deixar qualquer um alarmado. Saber que em vários países nesse exato momento estão sendo desenvolvidas em laboratórios (muitos deles clandestinos) pesquisas para aumentar a letalidade de um vírus ou tentar misturar dois vírus diferentes é tão bizarro, soaria tão ficcional para mim há dois meses atrás como o filme Resident Evil, porém agora eu sei que de fato se trata de uma realidade, uma difícil realidade.

Sobre o segundo assunto, quando o autor diz que a maioria das pessoas acreditam que doenças como a tuberculose, malária e varíola são passado, são doenças vencidas que não precisamos nos preocupar; e que a esperança de um vacina ou cura para o HIV/Aids, ou mesmo o tratamento de controle, serve como um “modo complacente” coletivo, uma negação da dura realidade de que temos milhões de pessoas sendo infectadas e milhares de mortes por ano no mundo todo. Para mim foi um choque aprender sobre como essas “doenças antigas” ainda representam uma ameaça para as populações do mundo etc. E some-se a isso tudo o que o autor trás sobre a crescente resistência a antibióticos que as populações estão desenvolvendo, e qualquer um entenderá o cenário difícil que estamos sujeitos a enfrentar não apenas com doenças novas que poderão surgir, mas com doenças antigas que ficarão fora de controle.

Uma leitura que te deixará preocupado + pontos negativos

Como eu disse, Inimigo Mortal é um livro muito interessante que acredito que todos deveriam ler. As informações constante em suas páginas são de utilidade pública. Entre a ilusão e a realidade, sempre devemos escolher a realidade por mais terrível que seja. Sim porque, o livro tem um tom alarmista do começo ao fim, é um leitura para te deixar preocupado e não o contrário.

Entretanto, há alguns pontos que me incomodaram bastante nas “soluções” que o autor aponta para essa grande ameaça de doenças infecciosas que segundo ele certamente vamos enfrentar nos próximos anos uma após a outra. Minha primeira ressalva é quanto a repetição do nome Bill Gates no livro e de como esse bilionário maravilhoso doou parte de sua fortuna para uma fundação pró saúde mundial. Talvez seja porque sou brasileira, talvez porque sou pessimista e sem fé no ser humano, mas não consigo conceber um bilionário doando parte de sua fortuna para não ganhar nada com isso.

Meu segundo ponto de incômodo, é com essa insistência do ajuntamento das nações, de uma liderança mundial, de alianças globais, de uma nova ordem mundial, que inclusive é o título do capítulo 6, para mim isso soa Salmo 2 demais para o meu gosto (quem não pegou a referencia procure a sua bíblia e dê uma olhada).

E por último, na minha opinião depois de ler tudo o que o autor revelou sobre a ameaça do bioterrorismo, das pesquisas científicas macabras que estão sendo realizadas há muito tempo no mundo; de saber que tem cientistas – capazes de pegar um vírus X e colocar dentro do vírus da varíola por exemplo 😮 -, e depois ler repetidamente que o que precisamos é uma vacina revolucionária, uma vacina global… tenho que dizer: essa conta para mim não fechou. Se cientistas malucos ou só maus mesmo, estão estudando meios de tornar vírus mais fortes e letais para atacar cidades e países inteiros, me responda: por que não fariam isso através de uma vacina? Lembrando que essa é minha opinião.

Enfim, eu indico demais o livro. Leiam e tirem suas conclusões. Vale a pena.


+INFO Livro Inimigo Mortal: Nossa Guerra contra os germes assassinos | Título original: Deadliest Enemy: Our War Against Killer Germs, 2017 | Autores: Michael T. Osterholm e Mark Olshaker | Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020 | 299 páginas | Nota: ★★★★

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2 comentários sobre “Inimigo Mortal de Michael T. Osterholm e Mark Olshaker #107 | Resenha

  1. Curiosamente, entre os últimos livros que li de divulgação científica, dois falam muito de germes e ambos otimistas. Um sobre o sistema imunitário e os avanços no controlo de doenças e o outro, mesmo sem omitir os riscos dos patogénicos, como podemos cooperar com os micróbios para a defesa da nossa saúde.

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