A Biografia de John Bunyan, por John S. Roberts #111 | Resenha

Uma tirania cruel e perversa despachou este homem para a prisão, para que ele não pudesse, por sua voz, semear o que eles chamavam de erro e heresia entre o povo […]; e vejam! De sua prisão, sua voz alcançou os ouvidos de todos os homens, exercendo um a influência que nenhum homem poderia estimar. O que, para ele e seus amigos, pareceu uma grande perda para a causa de Deus, torna-se o serviço mais triunfante de Deus e Seu Povo […] O corpo estava aprisionado, mas a mente estava livre e a glória de Deus foi obtida pelas cadeias que prendiam seu corpo de um modo que dificilmente teria se apresentado se ele permanecesse livre.” (p.75)

Terminei de ler agora a biografia de John Bunyan escrita por John S. Roberts datada de 1874. Essa biografia faz parte da edição da BVBooks (2009) do clássico “O Peregrino”.

Meu contato com John Bunyan, ou mais especificamente com sua magnífica alegoria cristã, se deu ainda na infância através de um filme, uma das muitas adaptações cinematográficas de O Peregrino. Se a minha memória não falha, assisti a esse filme num evento da igreja em que minha família congregava, sendo essa experiência extremamente marcante para mim.

Eu já tinha essa edição na estante há muito tempo e a separei para ler agora interessada na famosa alegoria. Não me recordava que a mesma continha uma biografia. Porém, ao abrir o livro não pude negligenciar a oportunidade de conhecer mais do autor antes de mergulhar nesse clássico dos clássicos da literatura cristã. E que bom que fiz isso. A leitura dessa biografia se mostrou para mim tão boa e edificante quanto sei que a leitura da alegoria poderá ser.

Apesar de já ter algum conhecimento prévio sobre o fato de Bunyan ter estado preso por causa do evangelho e sobre ele ter começado a escrever O Peregrino nessa condição. Eu desconhecia totalmente as circunstâncias desta, bem como todos os outros detalhes de sua vida tão peculiarmente interessante.

Um homem iletrado

John Bunyan nasceu em 1628 na cidade de Bedford, Inglaterra. Era filho de um funileiro (alguém que consertava panelas, bules e chaleiras). Por sua origem simples, ele foi conhecido e até atacado por toda a sua vida como “um homem iletrado” que ousou arriscar-se como pregador e escritor. Por esse primeiro título que nunca negou ser, um ministro do Evangelho de Cristo, ficou preso por 12 anos.

Mas eu adiantei as coisas, o biógrafo traça o perfil desse grande homem de Deus, desde antes de sua real conversão. Quando ficamos conhecendo um John Bunyan cheio de conflitos, dúvidas, tentações e outras lutas espirituais. Um homem mal compreendido por muitos, principalmente por causa das suas corajosas confissões de visões de anjos e demônios, tanto em sonhos durante a noite, como enquanto trabalhava em pleno dia.

Foi tão lindo e marcante ler sobre seu processo de conversão a Cristo, que já comprei sua autobiografia sob o título em português “Graça Abundante” para conferir mais de perto e por suas próprias palavras a sua jornada como peregrino “da Cidade da Destruição até as mansões celestiais”.

Além de muitos comentários sobre a sua obra mais famosa O Peregrino, o biógrafo cita e comenta várias outras obras do autor. Foi aqui que tomei conhecimento que Bunyan escreveu mais de 70 obras e pude entender que sua genialidade e inspiração foi muito além do que é mais conhecido. Algumas delas são: A Peregrina, Graça Abundante, Guerra Santa, Conselhos aos que sofrem e inúmeros sermões.

John Duvall, João Bunyan em Bedford na cadeia, 1844.

Elizabeth Bunyan e a devoção feminina

Alguns outros fatos acerca da vida de Bunyan dalém de sua prisão e sua vasta obra literária também me chamaram muito atenção. Como que tinha uma filha cega, a morte de sua primeira esposa, o aborto espontâneo que sua segunda esposa sofreu ao saber de sua prisão. Sobre essa, que se chamava Elizabeth Bunyan, o biógrafo dedicou muitas linhas destacando como ela foi importante na vida do marido, como foi piedosa, corajosa, fiel… deixando assim, uma grande benção para as leitoras.

Ainda sobre as mulheres, para mim foi muito poderoso conhecer sobre como algumas mulheres piedosas foram importantes na conversão de John Bunyan. Bem como, essas quanto filhas de Deus, digo as mulheres, não eram vistas por ele como menores, muito pelo contrário. Veja esse belíssimo trecho escrito por ele e citado pelo biógrafo:

“Eu direi que, quando o Salvador veio, as mulheres se regozijavam nele, diante dos homens ou anjos. Eu nunca li que um homem tenha lhe dado nem mísero centavo, mas as mulheres seguiam-no e ministravam a Ele com sua riqueza. Foi uma mulher que lavou seus pés com suas lágrimas e uma mulher que ungiu seu corpo para o funeral. Foram mulheres que choravam quando Ele subiu à cruz, mulheres que O seguiram até a cruz, que sentaram perto do Seu sepulcro quando Ele foi enterrado. Eram mulheres que estavam com Ele na manhã da ressurreição e as mesmas mulheres trouxeram notícias aos discípulos de que Ele tinha ressuscitado dos mortos. As mulheres, portanto, são favorecidas, e mostram por estas coisas, que compartilham conosco na graça da vida.” (p.41)

A perseguição aos cristãos ontem e hoje

Por último, para não me estender muito mais, eu aprendi muito lendo sobre a perseguição que Bunyan e seus irmãos em Cristo sofreram na Inglaterra no século 17. John S. Roberts a descreveu com detalhes suficientes para dar uma boa ideia de como o Estado com suas leis oprimiu e perseguiu os cristãos levando há muitos até a morte.

Ler sobre o que eles passaram, sobre como foram proibidos de se reunirem, sobre como foram proibidos de se batizarem, sobre como os impostos e multas foram meios utilizados para prender e destruir a vida de vários e vários cristãos me deixou muito reflexiva. Pois tive uma ideia clara de como facilmente a vida de liberdade religiosa pode mudar e como não só o Estado, mas nossos próprios vizinhos podem se voltar contra nós com um ódio mortal.

Enfim, gostei muito dessa leitura e só não considerei 4 ou 5 estrelas na nota devido há algumas partes bem desinteressantes ao menos para mim nesse momento. Falo de quando o biógrafo se alonga a respeito dos perseguidores de Bunyan, isso individualmente. Ou sobre os autores e obras semelhantes ao Peregrino, que foram utilizadas como armas de acusação de plágio contra um homem “iletrado” e que escreveu a maior parte de suas obras preso. Outro ponto que não gostei também, é que achei o texto da biografia um tanto truncado. Vários parágrafos precisei ler duas ou três vezes para tentar entender e mesmo assim teve alguns que as frases me pareciam que estavam faltando algo para fazer sentido. Talvez seja por ser uma obra antiga, talvez seja a tradução, ou talvez seja eu mesma para não ser injusta.

Depois desta, seguirei com a leitura de O Peregrino e sinceramente me sinto com mais bagagem para fazê-lo. Tenho também em mente ler o quanto antes “Graça Abundante” como citei acima; e “O Livro dos Mártires”, que já tentei ler uma vez e parei, mas que agora estou totalmente incentivada ao saber que junto à Bíblia era o livro que Bunyan tinha consigo na prisão.

No mais, digo que sou uma dessas crianças citadas na página 88: “É um dos livros [O Peregrino] que, sendo conectado com as mais queridas lembranças da infância, sempre retém o nosso coração e exerce uma dupla influência, quando numa idade mais avançada e menos sob a influência de uma imaginação fértil da infância, nós o lemos com uma percepção mais grave e pensativa de seu significado; e como muitas crianças se tornaram cidadãos melhores do mundo por toda a vida, por causa da leitura deste livro, ainda na infância!”


+INFO Livro: A Biografia de John Bunyan | Autor: John S. Roberts | Rio de Janeiro: BVBooks, 2009 | Páginas: 106 | Compre: BvBooks, Amazon

★★★★★

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