O Peregrino de John Bunyan #114 | Resenha

“Sim, há muitos caminhos que podem fazê-lo desviar. Eles são largos e sinuosos. Por isso você deve aprender a distinguir entre o certo e o errado. O caminho verdadeiro é sempre o caminho estreito e reto. (p. 138)”

O Peregrino, de John Bunyan, publicado em 1678, é um clássico da literatura cristã. Meu primeiro contato com a obra se deu ainda na infância através de um filme, o que já naquela época me impactou bastante. Ler a obra agora foi uma experiência muito enriquecedora, esse livro é extraordinário. Como John S. Roberts, um dos biógrafos de Bunyan, disse, não importa a idade, nem a nacionalidade, e eu acrescento que nem o formato, todas as pessoas que entrarem em contato com essa alegoria serão impactadas de alguma forma.

O enredo é a jornada de um personagem chamado “Cristão” desde a saída de sua cidade natal, a Cidade da Destruição, até a Cidade Celestial. Quanto leitores, acompanhamos de perto todos os percalços, reviravoltas e ensinamentos que nossos amados personagens vão se deparando pela frente; e tudo pela voz de um ótimo narrador que diz estar sonhando com essas coisas.

É uma obra gigante em conteúdo, aplicações, expressões… da vida cristã. Contudo, nessa leitura pude destacar para mim mesma como tema principal da obra os dois destinos que são para o homem inevitáveis: céu ou inferno; simples assim, para mim esse é o assunto de O Peregrino.

[1]

Há dois capítulos que eu gostei imensamente. O capítulo 5, que na minha edição é o do Intérprete. Eu não guardava na memória que o “Intérprete” era o Espírito Santo. Que alegria foi perceber isso nessa leitura. É um texto assim, maravilhoso. E os ensinos passados através da visão de cada sala que Cristão é conduzido pelo Intérprete, são muito preciosos.

O capítulo 12, na minha edição o capítulo do personagem Tagarela, também foi um texto que se destacou muito para mim na obra. Eu li e reli e conversei com outras pessoas sobre ele… foi mesmo muito importante por questões pessoais também é claro, como o C.S.Lewis disse: “Pois o que você ouve e vê depende do lugar em que se coloca, como depende também de quem você é.” [2] Porém, os comentários das notas de rodapé dessa edição foram fundamentais para que eu fizesse algumas reflexões. Segue um trechinho para sentir do que se trata:

“Tagarela é um homem que aprecia qualquer companhia sem distinção e que se agrada de qualquer conversa que venha a surgir. […] A verdadeira religião não tem lugar em seu coração, sua casa ou sua conversação. Tudo o que diz ou faz é mentira e sua religião está apenas no barulho provocado por suas palavras.” (p. 212)

Outro ponto da obra que vale a pena comentar também é a ideia, conceito ou interpretação que John Bunyan traz a respeito da tal “Porta Estreita”. Sobre isso eu sei que ele chegou a escrever um sermão com esse título. Mas bem, em O Peregrino a porta estreita é mencionada inúmeras vezes e de vários ângulos diferentes. Por exemplo, para uma pessoa legalista, o que é a porta estreita ou a porta larga? E para uma pessoa libertina, como se aplica esse conceito? Note que tanto o legalista como o libertino podem se entender como pessoas religiosas seguidoras de Cristo, mas será? Gostei da maneira como foi tratado isso e olhando para data de publicação e olhando para a vida cristã, para igreja moderna, o que ele trata continua incrivelmente atual.

E é isso. Para quem não leu ainda, eu recomendo muito essa leitura e inclusive dessa vez, gostaria também de indicar essa edição que li que é a da BVBooks (2009).

[1] Ilustração de O Peregrino: aqui
[2] C.S.Lewis. O Sobrinho do Mago, 1955. WMF Martins Fontes, 2005.


+INFO Livro: O Peregrino | Autor: John Bunyan (1628-1688) | Rio de Janeiro: BVBooks, 2009 | Páginas: 212 | Compre: Amazon, Estante Virtual

★★★★★

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