A Praça do Diamante de Mercè Rodoreda | Resenha

“Sei que os jovens são muitos dinâmicos e querem viver, viver depressa… Mas a vida, para ser vida, tem que ser vivida aos poucos…”

Já fazia um tempo que andava com vontade de conferir essa obra, ela foi indicada à TAG pela brasileira Carol Bensiomon. Fico feliz que o livro que ela indicou seja beeem melhor do que o livro que ela escreveu (Falando de Todos Nós Adorávamos Caubóis).

Aqui conhecemos Natália, uma mulher que de início (e por boa parte da história) vamos considerar meio que palerma, um tantinho sonsa, se me permitem assim chamá-la.

Natália vai a uma festa que está acontecendo na Praça do Diamante e lá conhece Quimet, por quem se apaixona a ponto de romper o relacionamento que estava indo muito bem obrigado. É com Quimet, que logo a apelida de Colometa, que ela vai se casar e ter seus filhos, apesar de Quimet ser aquele tipo de personagem que você despreza logo de início e esse desprezo só vai crescendo com o decorrer da história.

A partir desse casamento começamos a acompanhar a vida caótica de Colometa (muito raramente vemos o nome Natália novamente), vida essa que se torna ainda mais caótica quando seu adorável marido resolve criar um pombal na cobertura de seu apartamento, e os pombos passam a fazer parte da vida da protagonista de uma forma muito mais profunda do que a mera presença física.

O livro tem como ponto de virada o início da guerra civil espanhola, onde a vida já caótica da protagonista será virada do avesso e aí vemos a personagem mostrar uma força que até então achávamos que não existia.

Apesar da autora se referir ao livro como uma história de amor, em suas diversas formas e expressões, eu vejo como uma história de desenvolvimento pessoal, de amadurecimento e de luta pela vida, além de uma belíssima história de desespero e superação, mas quem sou eu para discordar da autora, não é mesmo?

Se teve uma coisa que me incomodou em alguns momentos (além do jeito desprezível do Quimet) foi a letargia inicial da protagonista, mas ela é de extrema importância para  fazer um paralelo entre o que ela era e o que ela é, e claro que mesmo essa letargia não é totalmente letárgica, considerando que ela toma a iniciativa de terminar um relacionamento firme para ficar com o “amor de sua vida” (dedinho podre esse dela, viu), mas me incomodou porque, como o livro é narrado por ela, em primeira pessoa, foi difícil acompanhar esse processo no início, pois eu não simpatizei muito com ela.

De qualquer forma é um livro com um começo okay, um meio angustiante e um final tranquilizador. Não é a melhor coisa que li na minha vida, mas sem dúvida é um livro que vale cada minuto de leitura e que nos toca de forma única ao mostrar uma personagem que de início vemos tropeçando e rimos fazendo chacota dela e no final curvamos a cabeça em respeito, agradecemos pela lição aprendida e nos envergonhamos por todos os pensamentos maus que tivemos a respeito dela.

*Publicado originalmente em 30/05/2020, no Hiattos.

*Crédito imagem da capa


+INFO Livro: A Praça do Diamante | Autor: Mercè Rodoreda (1908-1983) | Editora: Planeta (Edição exclusiva TAG Experiências Literárias) | Páginas: 256 | Amazon, Estante Virtual

★★★★☆

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